
Descansava na sala,
Sentado.
Era janeiro,
Dia 3,
Quinta-feira tardia.
Entraste pela porta,
Só tu,
Ouvi o teu nome,
Chamaram-te de Marta,
Eras Marta,
Sempre serás…
Mentindo, imagino a tua entrada,
Solitária,
Nas portas que eram brancas
De madeira.
Chamaram-te...
Refugiei-me num olhar fixo, atento
Mas desatento quando te ouvia.
Falavas pausadamente,
Era doce o teu carácter,
Tua voz quente…
Pensei em não olhar,
Em recusar um pensamento constante,
Contínuo
Que me é presente,
Que me conhece e me faz pensar.
Na resistência de um acto,
Tive que olhar a Deusa
Que me conquistou
E me conquista,
Que me ama em poemas...
Quebrou-se o acto
Tal qual o aço também parte,
Quebra tudo
Tudo parte.
Este amor não parte,
É elasticidade que se move
Que se testa pela resistência,
Do que nos é dito,
Do que dói...
A pureza desta loucura,
De quem chamem amor
É chama que não arde,
Mas queima quem ama,
Quem nos faz amar...