
Digo eu que não sinto...
Ou que deixei de sentir.
O problema é este sentir demais,
Este entender de menos.
Eu já não me sei ler,
Não me identifico
Com mover de corpo,
Um olhar de gente,
Porque se fui gente...
Hoje não sei já o que sou!
Perco-me dentro de mim
E anda às voltas
Sem que o rumo se encontre...
E sem que o corpo
Se alinhe com a alma,
O respirar com o bater.
Enquanto se perde
Alguém dentro de mim...
Quero eu também perder-me
Dentro de alguém!
Quero ter esse alguém!
Um ombro,
Uma carne que me sustente
E que me alimente
Este desnorteio.
Encostar a cabeça
E beijar esses lábios
Que eu não conheço,
Para que te conheça num beijo
E nas palavras que não dizemos.
Quero o silêncio
E depois o som
Numa constante,
Quero calma
E quero gritos dentro de mim.!
Vou-te encontrar
E depois encontrar-me dentro de ti,
Porque vou pertencer-te
Num beijo que se infinite
E num abraço que de desconhecido
Se conheça...
Vem!
Vem agora vem,
Ou se quiseres espera,
Espera que eu chegue,
Que eu te chegue
Nessa hora predefinida.
Se a soubesse,
Se te soubesse…
